Cristiane Poleto
Brasília DF - 20/11/2018

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R$ 78 bi para a casa própria

05/01/10

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Verba que financiará a compra de moradias será 36% maior este ano do que o volume liberado em 2009. Valor recorde será útil para todas as classes sociais


Vicente Nunes




















Monique Renne/CB/D.A Press
Cerca de R$ 45 bilhões serão emprestados a pessoas da classe média

 



Os brasileiros que vinham adiando a compra da casa própria por falta de uma boa linha de crédito podem começar a se mexer. Se prevalecer o que prometem o governo e os bancos privados, haverá uma oferta maciça — e recorde — de financiamento neste ano: R$ 78,3 bilhões, dos quais R$ 45 bilhões da caderneta de poupança, R$ 24 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e R$ 9,3 bilhões do Orçamento Geral da União. Se comparados apenas os recursos liberados pela poupança e pelo FGTS em 2009, de R$ 50 bilhões, haverá um crescimento de 38% nos desembolsos. “Sem dúvida, teremos um ano excepcional para a habitação”, diz o Ministro das Cidades, Márcio Fortes.



Nem mesmo a perspectiva de aumento da taxa básica de juros (Selic) reduz o ânimo. Como o grosso dos empréstimos vem de linhas desvinculadas das taxas de mercado e somente o FGTS liberará R$ 3 bilhões para subsídios à população de mais baixa renda, não há perspectivas de encarecimento do crédito imobiliário. Ou seja, os juros deverão continuar oscilando entre 5% e 12% ao ano além da variação da Taxa Referencial (TR). Também a expansão dos prazos de pagamento para até 30 anos não deve ser freada. “Esse alongamento é reflexo da estabilidade da economia”, não se cansa de repetir o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes.



Para o diretor financeiro da construtora JC Gontijo, João Carlos de Almeida, se houver mudanças no mercado, será para melhor. “Tanto os bancos quanto as empresas estão facilitando a vida dos compradores da casa própria, sobretudo nas grandes cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, onde a oferta é maior”, assinala. Essas facilidades se traduzem, principalmente, no sinal (entrada) do empreendimento. Se até bem pouco tempo as construtoras e incorporadoras exigiam entre 10% e 12% do valor do imóvel na hora da compra, agora, essa parcela varia entre 5% e 6% e pode ser paga em até seis vezes.



O comprometimento menor de renda para a compra de imóveis não assusta Luíza Rodrigues, economista do Banco Santander e uma das maiores especialistas de crédito do país. “Mesmo que o desembolso inicial seja menor, até a entrega das chaves o comprador terá pago uma boa parcela do imóvel — em alguns casos, mais de 50% do valor total”, diz. Além disso, houve um aprimoramento nas leis. Caso haja inadimplência, as construtoras e os bancos têm maior facilidade para retomar os empreendimentos e repassá-los adiante. “Por isso, não vejo como ter distorções no mercado, como o surgimento de bolhas”, afirma.



Há ainda o aumento crescente do poder de compra, o que, por sinal, tem contribuído para manter a inadimplência média do financiamento habitacional em torno de 2% contra 8% do crédito geral às pessoas físicas.



Diferença

O que chama a atenção do mercado é que a montanha de R$ 78 bilhões beneficiará famílias de todas as faixas de renda, das mais pobres, atendidas pelo Programa Minha Casa, Minha Vida, até as que pretendem financiar imóveis avaliados em R$ 500 mil. “As classes média e média alta terão à disposição o dinheiro da poupança e os menos favorecidos, do FGTS(1) e do Orçamento da União”, explica o ministro das Cidades. E que ninguém se espante, diz ele, se, ao fim de 2010, o total de empréstimos liberados superar o previsto. “Nos últimos anos, os desembolsos superaram todas as estimativas. E isso certamente se repetirá em 2010”, enfatiza.



Os construtores fizeram as contas e acreditam que, se todos os recursos forem liberados, o volume de imóveis financiados chegará ao recorde histórico de um milhão. “A demanda está forte, especialmente entre a população de mais baixa renda, na qual o deficit habitacional é maior. E as condições de compra criadas pelo governo são muito boas, facilita mesmo a compra de moradias”, afirma Eduardo Aroeira, diretor-executivo da Apex Engenharia, especializada nesse público.



1 - Recuperação

O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço pôde liberar mais recursos para a casa própria neste ano devido à recuperação do mercado de trabalho. No início de 2009, o governo ficou apreensivo com os saques maciços feitos por trabalhadores vitimados pela crise econômica mundial. Mas, a partir do segundo semestre, com a criação de mais de 1 milhão de vagas formais, o FGTS voltou a ficar no azul, fechando o ano passado com arrecadação líquida próxima de R$ 7,5 bilhões — um recorde.




Programa deve decolar



O ministro das Cidades, Márcio Fortes, está convencido de que, neste ano, o Programa Minha Casa, Minha Vida vai decolar. “Desde março de 2009, quando foi o programa foi lançado, houve um processo de preparação. Agora, o avião está pronto para decolar e voar em céu de brigadeiro”, diz. Segundo ele, até o dia 24 de dezembro, havia 3.060 empreendimentos em análise pela Caixa Econômica Federal, totalizando 619,3 mil imóveis, avaliados em R$ 36,8 bilhões. É quase o triplo das 247,9 mil moradias já aprovadas. “Muita gente reclamou da demora para o programa andar. Mas o processo não é tão simples como se pensa. Envolve o governo federal, estados, municípios, os Legislativos locais, a Caixa e as empresas”, acrescenta.



Os dados contabilizados pelo ministério até agora, afirma Fortes, derrubam a tese de que o programa fracassaria no atendimento às classes de mais baixa renda, a primeira, com rendimento até três salários mínimos (R$ 1.530 por mês), a segunda, com ganho mensal entre três e seis mínimos (R$ 1.530 e R$ 3.060). Dos projetos já aprovados pela Caixa, 60,61% vão beneficiar o primeiro grupo e 31,4%, o segundo. Ou seja, menos de 10% dos empreendimentos estão voltados para a faixa entre seis e 10 salários (R$ 3.060 e R$ 5.100), apontada como filé. Outro dado relevante: 38% dos projetos em análise pela Caixa serão tocados na região Nordeste, onde se concentra parcela importante do público de menor renda.



O ministro ressalta que o programa está sendo liderado pelas 13 maiores construtoras do país e não será surpresa se o número de imóveis construídos por meio do Minha Casa, Minha Vida passar de 1 milhão. “As empresas estão construindo verdadeiros bairros ou minicidades, empreendimentos com 5 mil unidades, para abrigar, em média, 20 mil pessoas”, destaca. (VN)

















 

Fonte: http://www.correiobraziliense.com.br/impresso/

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