Cristiane Poleto
Brasília DF - 23/09/2018

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Engenharia: Uma palavra feminina

26/03/12

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Engenharia, uma palavra feminina

Foi-se o tempo em que a profissão era quase exclusivamente dos homens. As mulheres romperam o tabu em torno dessa atividade e se tornaram uma presença marcante nos canteiros de obra


Embora achem que os homens tenham mais aptidão para as exatas, as engenheiras não abrem mão de planejar as obras


Fotos: Divulgação

Embora achem que os homens tenham mais aptidão para as exatas, as engenheiras não abrem mão de planejar as obras

Durante muito tempo a engenharia civil foi considerada uma profissão prioritariamente masculina. Fazer planejamentos, tocar uma obra e comandar uma equipe de operários eram tarefas desenvolvidas quase exclusivamente por homens, por demandarem muito trabalho e voz ativa. Porém, nos últimos anos, as engenheiras vêm se destacando no mercado e fazendo o trabalho pesado. Elas comandam grandes obras, quebrando o tabu em torno da profissão. Há quem diga que as mulheres são mais detalhistas e dão ao trabalho um toque feminino todo especial.


Telma Parada, conselheira do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA), é engenheira há 35 anos e trabalhava na fiscalização das obras do Estádio Nacional de Brasília. Formada pela Universidade de Brasília (UnB), Telma teve a influência do pai, Joffre Parada, um dos responsáveis pela construção de Brasília.


Ela conta que, apesar de ter pensado em fazer arquitetura, a engenharia sempre fez parte de sua vida e, como sempre gostou mais da área de planejamento, poucas vezes teve de lidar com obras. Apesar disso, raramente enfrentou discriminação por ser mulher. “Tive problemas poucas vezes quando toquei obras minhas mesmo. Os operários às vezes acham que você não sabe muito. Mas a gente contorna, né? A mulher tem um jeitinho para lidar com as coisas”.


Quando ela se formou, em 1977, havia cerca de 70 formandos, dentre eles apenas cinco mulheres. “Não é nem preconceito, é mais pela cultura de que o homem dá mais conta”, acha. “Mas não há nada na engenharia civil que o homem faça e a mulher não consiga fazer da mesma forma”, completa a engenheira. Ela acredita que, geralmente, o sexo masculino tem mais aptidão para as exatas. “Mas a mulher, quando tem este dom, faz bem-feito”, conclui.



Fim do preconceito


Telma acha que deve haver uma divulgação maior da profissão para as mulheres


Telma acha que deve haver uma divulgação maior da profissão para as mulheres

O coordenador do curso de engenharia civil do UniCEUB, Jocinez Nogueira, concorda que, geralmente, os homens lidam melhor com a área de exatas, mas observa a chegada de muitas mulheres às universidades preferindo esta área ultimamente. “Antes a percentagem de mulheres no curso era algo em torno de 10%, hoje temos turmas com mais de 20% de mulheres”, comenta o coordenador. “Temos meninas aqui muito melhores que os meninos. Hoje elas venceram esse tabu”, analisa.


As estudantes de engenharia Cláudia de Almeida e Aline Cerqueira, ambas de 23 anos, fazem estágio na construtora Faenge. Elas contam que tiveram total apoio das famílias na escolha do curso e não temem sofrer preconceito por serem mulheres. Aline já trabalhou diretamente com obras e nunca teve problemas nem com engenheiros e nem com operários. “É tudo uma questão de saber lidar com as pessoas”, diz a estudante. Mas ela faz uma ressalva: “Sempre tem alguém para falar que lugar de mulher não é na obra”.


Cláudia concorda com a colega e diz que muitas engenheiras têm mais receio de lidar com os operários. “Mas se você souber tratá-los, provavelmente vão te tratar muito melhor do que os próprios engenheiros”, compara a estudante. “Até porque o engenheiro não trabalha sozinho, ele não vai pôr a mão na massa, precisa do operário. Então, a gente tem de trabalhar em equipe, sempre”, completa Aline. Apesar de serem vaidosas, as meninas admitem que, para trabalhar na área, é preciso um vestuário compatível com o trabalho. “Se for trabalhar em obra, você tem de se vestir de maneira adequada. Tem de usar bota, tem de usar equipamento de segurança. Conheci meninas que não foram contratadas porque estavam de salto” finaliza Cláudia.


A engenheira Telma Parada acha que deve haver uma maior divulgação da profissão para o público feminino e comenta que também já foi “mal-vista” por estar “arrumada demais”. “Lembro que uma vez fui a uma entrevista de emprego e lá estavam a pessoa que me indicou e a pessoa com quem iria trabalhar. Claro que cheguei arrumadinha! Primeiro dia, tinha de me apresentar. Estava de tamanquinho. Depois este colega com quem trabalhei me confessou que olhou para mim e pensou: ‘Nossa senhora! Essa daí não vai dar conta!’. Mas depois fui pronta para trabalhar e nos demos bem”, lembra a engenheira. 


Fonte Redação Jornal da Comunidade

Fonte: http://comunidade.maiscomunidade.com/conteudo/2012-03-24/imoveis/4678/ENGENHARIA-UMA-PALAVRA-FEMININA.pnhtml

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