Cristiane Poleto
Brasília DF - 19/11/2018

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Nada paga o preço de viver bem

06/08/11

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Índice de valorização imobiliária em Brasília é de 40% ao ano. Especialistas estimam redução deste número no futuro, o que não implica necessariamente na estabilização ou redução de preços


 


ARA BUENO

ssouza@jornaldacomunidade.com.br
 Redação Jornal da Comunidade



Dona Guiomar mudou com o marido para Recife e quando voltou a Brasília se surpreendeu com a valorização de seu imóvelFoto: Sandro AraújoDona Guiomar mudou com o marido para Recife e quando voltou a Brasília se surpreendeu com a valorização de seu imóvel

É difícil colocar preço na tranquilidade e no conforto de se viver bem. Por isso, qualidade de vida é um dos itens mais caros para se adquirir em uma lista de metas pessoais. O mercado imobiliário de Brasília, no entanto, não parece ter dificuldade em atribuir valores a metros quadrados. Comprar um apartamento de 107 m² no Sudoeste custava, há 12 anos, em torno de R$ 166 mil. Hoje, esse mesmo imóvel custa mais de R$ 800 mil. Um aumento de quase 80%.



Guiomar de Sá, 83 anos, estava presente quando Brasília foi construída. O marido dela, Edison Costa, era engenheiro civil e veio transferido do Rio de Janeiro para ajudar na estruturação da cidade. Guiomar relata que, na época, não havia imóveis para compra e venda, tudo pertencia ao governo. Com os anos, o casal adquiriu o primeiro apartamento em Brasília. “Compramos um imóvel de três quartos na 107 Sul. Depois o vendemos e compramos um de quatro quartos na 215 Sul, onde moramos por muito tempo”, lembra.




Em meados dos anos 90 eles se mudaram para Recife. Antes, compraram dois apartamentos de dois quartos, um na 415 Norte e o outro na 415 Sul, os quais doaram para os filhos, e um apartamento de três quartos na capital pernambucana. Com a morte do marido, 15 anos depois, Guiomar decidiu retornar a Brasília. Em janeiro de 2008, ao colocar os pés em solo brasiliense, percebeu que o cenário não era o mesmo. Os R$ 190 mil da venda do amplo apartamento, localizado no bairro de Boa Viagem, com vista para o mar, a três ruas da praia, não eram suficientes para comprar um de dois quartos nas quadras das 400, que, ao final do ano, custava mais de R$ 300 mil.




Sem alternativa, Guiomar desembolsou R$ 205 mil em um imóvel de dois quartos, com mais um reversível, com 86,25 m² de área, em Águas Claras. A decisão, entretanto, não lhe causou arrependimento. “Gosto de morar aqui. O condomínio tem piscina, academia, churrasqueira e salão de festas. É mais tranquilo do que morar no Plano Piloto. Os condôminos convivem bem e, além disso, moro perto da minha filha e dos meus netos.  Não penso em voltar para o Plano. O único problema de Águas Claras é o trânsito no horário de pico”, ressalta.




Guiomar reconhece que houve elevada valorização no mercado imobiliário de Brasília, mas ressalva que os preços dos imóveis na cidade sempre foram altos. Mas os números comprovam que o índice de reajuste dos valores do metro quadrado tem sido de 40% por ano, desde 2008. Por exemplo, se o metro quadrado de um local custava mil reais há quatro anos, atualmente esse preço seria de R$ 3.841,60.


 


O melhor investimento ainda é o imóvel


 


Diogo Araújo, gerente comercial de lançamentos da Paulo Baeta, avalia que o atual índice de valorização imobiliária deve-se à falta de espaço e ao alto custo da construção civil. “A escassez de terrenos, a grande demanda, os valores dos insumos e o encarecimento da mão de obra qualificada são responsáveis pelo aumento no preço dos imóveis”, analisa. Ele explica que o crédito oferecido pelos bancos facilitou a aquisição da moradia, mas não foi o causador da valorização exponencial dos imóveis em Brasília. “Houve um aumento na renda per capita e as pessoas que antes não podiam adquirir casa ou apartamento agora podem”, justifica.


 



Diogo Araújo enumera vários fatores que ajudam a valorizar os imóveis no DFFoto: Dênio SimõesDiogo Araújo enumera vários fatores que ajudam a valorizar os imóveis no DF


Ele diz que a diminuição do tamanho dos apartamentos é reflexo da falta de espaço e das exigências dos compradores. “As pessoas não querem mais lugares muito amplos porque saem mais caro. A procura é por imóveis menores”.




Leonel Alves, diretor comercial da Lopes Royal, concorda com o colega. “Terrenos são caros, imóveis menores saem mais em conta”, ressalta. Ele acredita que, na realidade, o crescimento dos preços de metro quadrado que aconteceu nos últimos cinco anos foi apenas um reajuste. “Se levarmos em consideração os insumos, os preços estavam defasados, aquém do que deveriam”, opina. Leonel defende que o aumento salarial e econômico deram espaço para a valorização imobiliária, a qual deve se manter. “Se compararmos os preços de agora com os de daqui a dez anos, veremos um aumento. Só que será menor que 40% ao ano. Deve variar entre 15% e 20%”, estima.




O diretor ressalta a valorização da capital do Brasil como polo de investimento. “Brasília é uma das cidades mais importantes do país. É a segunda na lista das que vendem mais imóveis, atrás somente de São Paulo. O Plano Piloto é a Manhatam de Brasília. Não existe a mínima chance de desvalorização”, aposta. Ele completa que Guará, Águas Claras e Taguatinga são as regiões mais demandadas pela construção civil atualmente.


 


Novos nichos


Túlio acredita que o mercado imobiliário do DF terá de buscar alternativasFoto: DivulgaçãoTúlio acredita que o mercado imobiliário do DF terá de buscar alternativas

O diretor da Beiramar Imóveis lista a variação de valores atuais de metro quadrado em diversas regiões de Brasília. “No Plano Piloto vai de R$ 12 mil a R$ 14 mil o m²; no Sudoeste é praticamente o mesmo preço das asas Norte e Sul; e, no Noroeste, se o imóvel for financiado, o preço do m² sai por R$ 10.500. Em Águas Claras o m² sai por R$ 6 mil e no Guará varia entre R$ 7.500 e R$ 8 mil”, enumera.



Túlio prevê que o mercado terá de perseguir novos nichos. “As próximas construções serão feitas longe do centro, na BR-040, por exemplo. Haverá uma restruturação da realidade imobiliária e os compradores terão de se adaptar”, esclarece. Outra estimativa é de que o Noroeste será um dos melhores locais para se morar do país. “A Classe AAA vai residir lá. Será o bairro mais nobre de Brasília. E, em breve, não haverá mais espaço para construir no Noroeste, pois a demanda é grande. Está aumentando a vontade de se viver bem”, finaliza.


 


Valorização mais lenta

Túlio Nascente, diretor de lançamentos da Beiramar Imóveis, acha que o índice de valorização imobiliária cairá nos próximos anos. O que não significa que haverá redução de preços. A tendência é que os valores de metro quadrado continuem a subir. Não no mesmo ritmo. “Ninguém aguenta 40% ao ano. Nos próximos três anos vai diminuir para 20%, 40% é uma anomalia”.




O diretor acredita que vários fatores influenciam na valorização dos imóveis, entre eles o tempo e o espaço. Com o passar dos anos, mais e mais pessoas têm chegado a Brasília em busca de oportunidades profissionais. A demanda por moradia cresceu muito, enquanto o espaço para construção manteve-se limitado. Ele explica que, após 2008, as construtoras ingressaram na Bolsa de Valores e, com os lucros obtidos, investiram na aquisição de lotes. No entanto, existe uma escassez de terrenos nas regiões centrais e até em cidades-satélites como Guará, Águas Claras e Taguatinga. “A demanda tem sido maior que a oferta”, conclui.




Além disso, Túlio aponta o crédito imobiliário, o fortalecimento das classes média, média-alta e alta e a correção monetária como fatores que colaboraram para o atual cenário do mercado imobiliário local. “A renda per capita de Brasília é a maior do país e as classes mais elevadas investem em imóveis. As linhas de crédito bancário foram as grandes responsáveis por essa valorização, pois fortaleceram a demanda. E a indexação do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) e a inflação dos insumos de 6% a 8% ao ano também colaboraram para esse resultado”, avalia.


Fonte: http://comunidade.maiscomunidade.com/conteudo/2011-08-06/imoveis/4815/NADA-PAGA-O-PRECO-DE-VIVER-BEM.pnhtml

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