Cristiane Poleto
Brasília DF - 22/07/2018

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E agora, onde guardo meu carro?

02/08/11

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E agora? Onde guardo o carro?


Com média de um automóvel para cada dois cidadãos, o DF tem a maior frota proporcional de veículos do país. Empreendimentos imobiliários devem calcular número de carros por loja ou residência



  Fonte: Jornal da Comunidade



Brasília não para de crescer. Novas cidades, expansões de regiões administrativas, loteamentos e condomínios surgem diariamente na capital federal. Inevitavelmente, o crescimento da população acarreta um aumento na frota de veículos que circulam pelas ruas e avenidas de qualquer cidade.

O último levantamento sobre o número de automóveis no Distrito Federal foi realizado no mês de fevereiro deste ano. Os dados obtidos são resultado de uma parceria entre dois órgãos distritais – a Secretaria de Segurança Pública e o Departamento de Trânsito do DF (Detran-DF) – e indicam que 1.249.928 veículos estão registrados em Brasília.

Do total, 74% são automóveis, o que representa pouco mais de 925 mil carros; em segundo lugar vêm as motocicletas, que correspondem a 11% da frota, com mais de 137 mil veículos. Atrás delas, outros tipos como caminhões, caminhonetes, reboques, utilitários e ônibus perfazem os 187 mil restantes.



Cálculo específico para as vagas

O último censo demográfico nacional realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que o Distrito Federal tem uma população de 2.570.160 habitantes. Se dividirmos essa quantia pela frota de veículos mencionada, obtemos a taxa de motorização, que na capital federal é de um veículo para cada duas pessoas. O resultado torna-se ainda mais impressionante se comparado à média nacional, que é de um veículo para cada 12 pessoas.


Surgem, então, várias perguntas: onde guardar tantos carros e motos? As ruas vão suportar? Que medidas são adotadas em metrópoles com tantos veículos? As respostas para quase todas elas são dadas por profissionais de uma área que cresce na mesma medida da frota do DF: a engenharia de trânsito.


Na construção civil há um cálculo específico para determinar quantas vagas devem ser oferecidas em empreendimentos residenciais, comerciais e mistos. George Hajjar Júnior, diretor da Línea/G Empreendimentos Imobiliários, explica como é feito o cálculo que estipula as vagas para o setor imobiliário. O executivo aponta que a quantia é definida de acordo com normas e gabaritos locais ou com o plano diretor de cada localidade.


“O empreendimento comercial geralmente segue os parâmetros de uma vaga para cada 50 m² de sala e uma para cada 75 m² de loja. Nos residenciais a regra geral aplicada é de uma vaga para cada apartamento de até três quartos e duas vagas para cada apartamento de quatro quartos”, resume.


O jeito é caminhar


Artur Morais, engenheiro e doutorando em transportes na Universidade de Brasília (UnB), sugere que menos carros poderiam resolver vários problemas, dentre eles o dos estacionamentos.


“As pessoas associam o carro à rapidez. Nem sempre isso é verdade. Carro faz parte do nosso imaginário desde o tempo em que éramos crianças e isso acaba se refletindo na nossa cultura. Há muitas situações em que você chega mais rápido indo a pé ou de bicicleta”, resume.


Morais afirma que caminhar é o ideal para distâncias de até 2 km. “Leva cerca de 20 minutos. Além de ser mais saudável e barato, evita contratempos como a busca por vagas nos estacionamentos e as paradas em sinais de trânsito. Grande parte dos problemas de trânsito se deve ao fato de a população utilizar carros para os deslocamentos cotidianos. Sou da opinião de que carro é apenas para deslocamentos excepcionais ou para o lazer”, posiciona-se o engenheiro.

O engenheiro ressalva que a alternativa pelo táxi pode ser vantajosa para o bolso em algumas situações, além de não haver perda de tempo na busca por uma vaga. “Se levarmos em consideração os gastos com estacionamentos, a desvalorização dos carros com o passar dos anos, as mensalidades e o tempo gasto para encontrar vagas, há muitas situações em que usar táxis pode ser, além de mais prático, mais econômico”, pondera.


Pela proposta do Projeto de Lei nº 7.803/10, do Senado Federal, as vagas de garagem nos edifícios comercias e residenciais não poderão ser alugadas ou vendidas a pessoas estranhas ao condomínio, a não ser que haja determinação expressa em contrário decidida em assembleia. O Código Civil permitia a venda e o aluguel de vagas de forma irrestrita.


O Projeto de Lei nº 7.803/10 já recebeu parecer favorável do relator na Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara dos Deputados, que tem como relator o deputado Genecias Noronha (PMDB-CE). Depois de votado na referida comissão, o projeto que vincula a venda ou o aluguel de vagas em garagens de edifícios à aprovação do condomínio precisa ser analisado na Comissão de Constituição e Justiça.


Poucas garagens, muitos automóveis

No entanto, o diretor lembra que o padrão dos imóveis no DF é alto. “Hoje temos dificuldades na comercialização de apartamentos com dois quartos e somente uma vaga de garagem. Isso é visto principalmente em Águas Claras, local de grande adensamento populacional na última década”, acrescenta. George demonstra preocupação com a relação estabelecida entre a alta taxa de motorização no DF e a oferta de garagens do setor imobiliário.


Ele calcula que o aluguel de vagas pode chegar aos R$ 500 mensais. “O grande potencial deste mercado está nos pontos comerciais, pois há pouca oferta, grande fluxo de carros e poucas opções. Resta procurar um estacionamento público ou alugar a vaga de outro proprietário. Na primeira opção, devemos levar em conta a questão da segurança. Na segunda, adianto que não é fácil achar um proprietário disposto a alugar, além do alto custo”, completa.


Fonte: http://comunidade.maiscomunidade.com/conteudo/2011-07-30/imoveis/6519

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