Cristiane Poleto
Brasília DF - 20/01/2018

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E se a água vier a acabar?

04/07/11

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E se a água vier a acabar?


Discussão mundial sobre efeitos da construção civil nos recursos hídricos ganha força no Brasil e, especialmente, em Brasília. Na capital federal, entidades promovem debate acerca dos impactos deste setor na natureza



 





O workshop A influência do uso e ocupação do solo nos recursos hídricos do DF mobilizou entidades durante o debateFotos: Alan SantosO workshop A influência do uso e ocupação do solo nos recursos hídricos do DF mobilizou entidades durante o debate


O Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Distrito Federal (Crea-DF) sediou, na terça-feira (28), o workshop A influência do uso e ocupação do solo nos recusros hídricos do DF. O evento encerrou a agenda de comemorações pelo Jubileu de Ouro (50 anos) do Crea-DF, fundado em 1961.


Estiveram presentes, compondo a mesa de trabalhos, os representantes da Associação dos Profissionais de Engenharia Ambiental no Distrito Federal (Aspea-DF), da Associação Nacional dos Engenheiros Ambientais (Aneam), da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do Distrito Federal (Adasa), do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), do Comitê da Bacia Hidrográfica do Paranoá, do Crea-DF e do laboratório Sabinbiotec.


Um dos principais pontos debatidos foi o impacto da construção civil nas águas superficiais e subterrâneas do DF. André Cortes, analista de novos negócios do Sabinbiotec, acredita que, em nível local, o debate é fundamental por se tratar do segundo mercado imobiliário do país.


André achou o debate bom por envolver o segundo mercado imobiliário do paísAndré achou o debate bom por envolver o segundo mercado imobiliário do país

Moacir Bueno, presidente do Ibram e especialista em recursos hídricos, compartilha da opinião de André. “Apesar de o país ser rico em natureza e Brasília ainda manter várias áreas de proteção ambiental, nossos biomas estão sendo dilapidados pela construção desenfreada. Deve haver crescimento, mas com limites”.


O presidente do Crea-DF, Francisco Machado, disse ser possível aliar crescimento econômico com manutenção sustentável do meio ambiente. “O Brasil quer e pode ser a quinta potência mundial. Os parlamentares têm relação direta com este desejo, pois é perfeitamente possível promover um salto econômico por meio de políticas sustentáveis e também usando conscientemente nossos abundantes recursos naturais”, sugeriu.



Distribuição hídrica

“Em 2020, estima-se que cinco bilhões de pessoas no mundo não tenham água para suas atividades primárias”. Foi com essas palavras que a presidente da Aspea-DF, Célia Farias, introduziu seu discurso na mesa de trabalhos do workshop. Ela citou dados naturais que definiu como preocupantes. “O Brasil tem posição global privilegiada, pois detemos 12% da água superficial do mundo. Mas é na região amazônica, que abriga somente 10% da população nacional, onde estão 70% de nossa água doce”, completou.


O engenheiro Marcus Vinícius Batista, servidor do Crea-DF e presidente da Aneam, reforçou esse pensamento. “Infelizmente, os recursos hídricos têm sido deixados para segundo plano das discussões. As autoridades não fazem ideia das consequências que este mau uso pode trazer, principalmente em decorrência da construção civil”, frisou.


Lago tem o maior desperdício por habitante


Dados do Programa de Gestão Ambiental (PGA) da Procuradoria-Geral da República mostram que o Lago Sul detém o incômodo recorde de maior desperdício de água por habitante no mundo, com um gasto médio diário de mil litros por pessoa. Habitantes de países como a Namíbia, na África, convivem com menos de um litro de água por dia.


No entanto, Marcus Vinícius Batista vê condições de mudanças neste panorama. “A criação do Grupo de Trabalho da Engenharia Ambiental é um exemplo de avanço. O espaço será aberto a toda a sociedade, sendo apenas coordenado por profissionais da categoria que dá nome ao grupo”, sintetizou.


Jeferson da Costa, especialista em recursos hídricos e representante da Adasa, apresentou uma análise técnica sobre os recursos desta natureza no DF. Nos dados estavam a caracterização das águas no DF e Entorno, os modelos de uso e os conflitos gerados a partir deles. Ele apresentou o plano de manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) do Planalto Central e mostrou também a situação de alguns zoneamentos ecológicos econômicos (ZEEs).


Não é de hoje que a questão da degradação ambiental decorrente de obras e construções é tema de divergências no Distrito Federal. De um lado, ambientalistas e ativistas ligados ao setor alertam, principalmente, para os perigos da falta de água; de outro, construtoras e empreiteiras erguem milhares de obras por dia.


O Setor Noroeste é o mais recente exemplo. Em 2009 o Ministério Público Federal no DF (MPF-DF) recomendou ao Instituto Brasileiro dos Recursos Naturais e Renováveis (Ibama) que suspendesse imediatamente os efeitos da licença prévia emitida em 2007 para a construção das habitações na nova área.


Depois de muitos imbróglios administrativos e judiciais, o Noroeste enfim saiu do papel e, depois de adaptar-se à chamada cartilha verde, ostenta o título de “primeiro bairro ecológico do Brasil”. Cumpridas as exigências, as obras foram iniciadas.


A preocupação com a devastação da natureza para dar lugar a edifícios e condomínios é crescente. Frente à demanda ambiental, o grupo Sabin criou o laboratório Sabinbiotec. Especialista em estudos de alimentos, água, ar e solo, o Sabinbiotec oferece análises microbiológicas e físico-químicas para monitoramentos ambientais.



Fonte: Jornal da Comunidade

Fonte: http://comunidade.maiscomunidade.com/conteudo/2011-07-02/imoveis/5101/E-SE-A-AGUA-VIER-A-ACABAR.pnhtml

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