Cristiane Poleto
Brasília DF - 19/01/2018

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CEF observa o mercado de créditos no Brasil

16/10/08

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Entrevista da Unimob com o Consultor Técnico da Vice-Presidência de


Governo da Caixa Econômica Federal, Teotônio Resende.


Diante da forte crise norte-americana, em grande parte causada pela aprovação de crédito com pouco rigor, o Brasil vai dificultar a liberação de crédito para que não sofra o mesmo viés. Assim, ganha-se importância os critérios de análise de crédito. Para ajudar a compreender este novo cenário econômico, o Unimob entrevista o Consultor Técnico da Vice-Presidência de Governo da Caixa Econômica Federal, Teotônio Resende.

Unimob - Diante da crise do subprime, qual a avaliação do senhor sobre a análise do crédito praticado no Brasil de uma forma geral?

Teotônio Resende - Uma das principais causas do sub-prime americano foi ter as instituições financeiras delegado, integralmente, a originação do crédito para outras empresas, as quais não tinham nenhuma responsabilidade sobre o risco de crédito e ganhavam pelo volume de crédito concedido. Assim, era natural se esperar que ocorresse, como de fato ocorreu, fraudes na comprovação de renda e superavaliação de imóveis, além de se relegar históricos negativos dos tomadores de crédito em termos de pagamento de compromissos.

No caso brasileiro, a situação é absolutamente diferente do modelo americano. Nenhum banco delega os pilares básicos da originação do crédito imobiliário

i) avaliação do imóvel;

ii) apuração da renda e da capacidade de pagamento;

iii) análise do risco de crédito.

Ademais, como praticamente não se tem securitização de crédito imobiliário no Brasil, são os próprios bancos que carregam todo o risco da concessão de crédito e, portanto, interessa a esses maior rigor na análise dos tomadores de crédito.

As carteiras de crédito imobiliário dos bancos brasileiros está mais para "Super-prime" do que para "sub-prime".

Unimob - Qual a importância da análise de crédito no setor imobiliário?

TR - Uma análise de risco de crédito bem feita é vital para minimizar o risco de inadimplência e de perda de capital. Já foi o tempo em que as instituições financeiras se baseavam apenas na solidez da garantia para conceder crédito. Ao banco o que importa é emprestar e receber o que foi emprestado. Não lhe interessa retomar imóveis para pagar financiamentos cujo devedor entrou em inadimplência, pois isso sempre traz prejuízos aos credores. De uma maneira geral, os modelos de análise de risco de crédito no Brasil são bem estruturados e, no caso da CAIXA, há mais de 10 anos trabalhamos como modelo de credit score, tão avançado quanto aos modelos utilizados nos mercados financeiros mais evoluídos. Isso tem feito com que nossos índices de perda venham reduzindo ano a ano.

Unimob – Quais são os benefícios das construtoras e incorporadoras que possuem o serviço de análise de crédito nos stands de vendas, ou seja, ainda em lançamento? 

TR - A análise de risco de crédito feita pelas próprias construtoras lhes traz a vantagem de evitar perdas de venda quando se apresenta os imóveis para serem financiados pelos bancos. Assim, ao invés de gastar esforços em vendas que depois não serão possíveis de se concretizar, a própria construtora já rejeita as operações com clientes sem capacidade de pagamento e/ou com histórico de mau pagamento.

Unimob - Se o crédito for aprovado, significa que o cliente pode finalizar a compra do imóvel.  Se mesmo assim ele não honrar os compromissos, quais são as medidas legais que o credor possui para não ficar no prejuízo?

TR - Um sistema eficaz de análise de risco de crédito mitiga, de forma relevante, os casos futuros de inadimplência, porém, não é suficiente para afastar, em definitivo esse risco, até mesmo porque podem surgir fatores supervenientes que afetem negativamente a capacidade de pagamento do mutuário. No caso de inadimplência, a primeira ação do banco é procurar o cliente e tentar identificar a causa da inadimplência e estudar possíveis formas de renegociar o crédito. Isso porque, retomar o imóvel é a última alternativa, visto que sempre implica em prejuízos para os bancos. Se for impossível renegociar o contrato e o mutuário se mantiver inadimplente, a partir de 3 prestações em atraso o banco pode iniciar o processo de execução - judicial ou extrajudicial - no caso de contratos com garantia hipotecária ou, em se tratando de alienação fiduciária, adotar as providências para consolidação da propriedade em seu nome e, em seguida, colocá-la em leilão.

Fonte: www.unimob.com.br

Fonte: http://www.unimob.com.br/especiais/1/12/1/21012/cef-observa-o-mercado-de-creditos-no-brasil.html?__akacao=101321&__akcnt=eea3576b&__akvkey=0a42&utm_source=akna&utm_medium=email&utm_campaign=NPU+-+FLORIANOPOLIS+-+INFORME+-+09+-+2

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