Cristiane Poleto
Brasília DF - 21/06/2018

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Escalada vertiginosa no preço da casa própria

30/09/08

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Casa de luxo em Miami, com 140 m2, três quartos, duas suítes, geladeira,

fogão, máquina de lavar e secar roupas, ar-condicionado, portão elétrico e

 persiana à prova de furacão custa bem menos do que um apartamento antigo nas quadras 400 da Asa Sul



Fernando Brito

fbrito@jornalcoletivo.com.br

 



O advogado Gustavo Bezerra trabalha no Congresso Nacional. A esposa dele, a professora Daniela Moraes, leciona em uma escola na Asa Sul. A filha do casal, a pequena Isabela, de apenas dois anos, estuda em um colégio próximo ao local de trabalho da mãe. A família residia no Guará, mas por uma questão de comodidade, com objetivo de diminuir o intenso trânsito diário, planejou transferência para o Plano Piloto. Venderam o antigo apartamento e se mudaram para a casa de parentes, enquanto aguardavam o surgimento de oportunidade de um novo imóvel. A espera, porém, foi inglória.



Por sete meses, o casal procurou por um apartamento em anúncios de jornais, corretoras e mesmo no boca-a-boca com porteiros de edifícios. Com o passar do tempo, os preços dos imóveis subiram “quase quinzenalmente”, como observou Gustavo, superando rapidamente as economias da família. “Há duas semanas, encontramos o apartamento ideal, mas nada de luxo: três quartos, com cerca de 90m2, sem elevador, na 416 Sul. Tinha o tamanho que precisávamos e preço dentro do que àquela altura já estávamos dispostos a pagar: R$ 320 mil. Obviamente, teríamos de financiar uma parte. Vi a faixa na janela e liguei para a proprietária. Mas ela me disse que acabara de vender o imóvel e estava indo para o cartório fechar negócio. O comprador sequer quis visitar o apartamento, acertou tudo por telefone mesmo”, conta Gustavo.

 

O episódio foi a gota d’água para o advogado. Absolutamente contrariado com a histeria do mercado imobiliário no Plano Piloto, decidiu que a casa nova será em Águas Claras.



De acordo com Gustavo Bezerra, durante o período em que procurou por um imóvel no Plano Piloto, os preços dos apartamentos com as características citadas saltaram de R$ 240 mil – em dezembro de 2007 – para R$ 260 mil – em março de 2008 – até alcançarem hoje o astronômico e surreal valor de R$ 300 mil. “Na minha opinião, há um cartel atuando no mercado imobiliário do DF. Digo isso porque um empresário que conheço acaba de comprar uma casa em Miami (EUA). O imóvel tem 140m2, três quartos, duas suítes e já vem com geladeira, fogão, máquina de lavar e secar roupas, aparelho condicionador de ar, portão elétrico e persiana à prova de furacão. O condomínio de luxo conta ainda com um campo de golfe. Por tudo isso, ele pagou US$ 150 mil, com o dólar cotado a R$ 1,66. Como é que um apartamento antigo nas quadras 400 da Asa Sul pode custar mais do que uma casa de luxo nova nos EUA? Simplesmente não entendo essa lógica”, indigna-se Gustavo.

 

Fonte: http://www.jornaldacomunidade.com.br/?idpaginas=15&idmaterias=365362

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