Cristiane Poleto
Brasília DF - 15/10/2018

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Alta dos imóveis supera teto de R$ 500 mil e afasta a classe média do Plano Piloto

17/04/11

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Alta dos imóveis supera teto de R$ 500 mil e afasta a classe média do Plano O teto de R$ 500 mil foi superado pela valorização das residências em Brasília. A saída é buscar unidades longe do centro


Ana D'Angelo - Correio BrazilienseA constante valorização dos imóveis em Brasília está forçando a migração de parte das famílias de classe média que pretendem ter casa própria do Plano Piloto para outras regiões do Distrito Federal, como Cruzeiro, Águas Claras e Guará. Está cada vez mais difícil encontrar imóveis de pelo menos dois quartos nas asas Sul e Norte ou no Sudoeste com preço de até R$ 500 mil. Esse é o teto que permite utilizar o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como entrada ou mesmo financiar a compra com taxas de juros mais atrativas pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH), em torno de 9,5% a 10,5% ao ano mais a TR (Taxa Referencial de Juros). Para imóveis acima de R$ 500 mil, as taxas são a partir de 11% ao ano, mais TR.



Em Goiânia, com os mesmos R$ 500 mil é possível comprar apartamento de quatro quartos de alto padrão em bairro nobre ou de três quartos em Belo Horizonte e em outras capitais das regiões Sudeste e Sul. O valor do metro quadrado dos apartamentos das asa Sul e Norte e do Sudoeste concorrem com os das áreas mais valorizadas do Brasil, que estão no Rio de Janeiro — Leblon, Ipanema e Lagoa.



“Apartamentos de dois quartos, com elevador e garagem, por menos de R$ 500 mil estão raríssimos no Plano Piloto”, afirma Marcelo Ferola, diretor da Ferola Empreendimentos Imobiliários. No Sudoeste, estão extintos. Segundo ele, as pessoas estão tendo que buscar imóvel até essa faixa de preço nas quadras 400 das asas Norte e Sul,  no Cruzeiro, em Águas Claras e  no Guará.



“O teto de R$ 500 mil está restringindo parcela significativa da comercialização de imóveis. Quem compra imóvel acima de R$ 500 mil acaba penalizado também com taxa de juros mais alta”, avalia o presidente do Sindicato da Habitação do Distrito Federal (Secovi/DF), Carlos Hiram Bentes David, que defende regras específicas para Brasília. O resultado é o aumento da demanda por imóvel nas regiões mais próximas ao Plano Piloto, afirma. Segundo ele, os alvos preferenciais têm sido Águas Claras e Guará, que oferecem imóveis com padrão de construção mais moderno, com áreas comuns de lazer, como parques aquáticos.


Publicação: 17/04/2011 11:00 Atualização: 17/04/2011 04:30


 





Inviável

De acordo com Ferola, o comprador que tem FGTS é da faixa de 25 a 40 anos, casado, com um ou dois filhos e quer um apartamento mais confortável. Ou seja, ele só encontra esse imóvel em outras cidades do DF. O administrador de empresas Flávio Portela, 40 anos, fez as contas e concluiu que está inviável adquirir um imóvel de três quartos no Plano Piloto. “Além de custarem acima de R$ 600 mil, são imóveis em estado deplorável em muitos casos, que precisam de uma boa reforma”, diz ele. Por isso, está procurando no Cruzeiro. Mesmo assim está desanimado, pois, se der entrada de R$ 100 mil a R$ 200 mil, terá que financiar R$ 300 mil, o que já resulta em prestação mensal de mais de R$ 3.000. “É um valor muito alto para o padrão dos apartamentos”.



“Antes, eu conseguia apartamento de três quartos por R$ 300 mil para atender cliente com esse perfil. Hoje, já não consigo mais”, relembra o corretor Marcelo Ferola. Até 2007, antes dessa explosão dos preços, o limite do FGTS, de R$ 350 mil, era suficiente para comprar esse tipo de imóvel. Agora, nem o teto de R$ 500 mil, que foi elevado em março de 2009, dá. “É o mesmo cliente, o mesmo emprego, o mesmo cargo, mas agora só consigo imóvel para ele em outra área”, afirma Ferola.












Marcos e Mariângela foram obrigados a rever o plano de comprar um imóvel na 206 Sul:  
Marcos e Mariângela foram obrigados a rever o plano de comprar um imóvel na 206 Sul: "São imóveis caros em prédios antigos", diz ela

O casal Mariângela Fialek e Marcos Augusto Trebien gostaria de comprar apartamento de três quartos na 206 Sul, onde mora atualmente de aluguel. Mas o preço, em torno de R$ 750 mil, já obrigou o casal a rever os planos, pois sequer pode usar o saldo do FGTS do Marcos. “São imóveis caros em prédios antigos, sem garagem e precisando de reforma”, afirmou Mariângela. “Não tem nem segurança pelo preço que se paga”, completa. Eles estão analisando imóveis em condomínios fechados, com mais opções de lazer e segurança, em outras cidades do DF.



A elevada valorização do metro quadrado em Brasília tornou o uso do FGTS muito restrito, atesta o corretor de imóveis Marcos Ozanã Santos. Segundo ele, o cliente pode utilizar o dinheiro do Fundo praticamente apenas nas cidades ao redo do Plano Piloto, onde o metro quadrado varia de R$ 3,5 mil a R$ 5 mil (Águas Claras). Para a maioria das quitinetes, localizadas nos prédios comerciais das asas Norte e Sul, não é possível, porque a escritura é de imóvel comercial, lembra ele. “O metro quadrado de qualquer imóvel com seis a 10 anos de uso varia de R$ 7 mil a R$ 10 mil o metro quadrado no Plano Piloto”, diz ele.



 


O engenheiro Maurício Amorim acabou dando sorte. No ano passado, ele comprou uma kitinete em Águas Claras e sacou o saldo de R$ 55 mil do FGTS para abater o saldo devedor com a construtora. Agora, ele pretende vender o imóvel para comprar um maior, acima de R$ 500 mil. “De certa forma, consegui usar o FGTS. Agora, espero que, até juntar novamente uma quantia razoável no Fundo, o limite do valor do imóvel para utilização aumente para eu poder abater do saldo devedor do financiamento do novo apartamento.”





Exigências



Quais são os requisitos para utilizar o FGTS na compra de imóveis?



» Ter três anos na condição de optante pelo regime do FGTS.



» Não ser proprietário de imóvel residencial no município onde pretende efetuar a compra ou onde reside e/ou tem seu domicílio.



» Não ter financiamento habitacional em qualquer localidade do território nacional.



» O trabalhador que for assumir um financiamento habitacional pode utilizar o FGTS para reduzir o valor tomado emprestado. Assim, diminui sua dívida e o valor da prestação mensal. 



Fonte: Correio Braziliense - Domingo - dia 17/04/2011, Ana D'Angelo

Fonte: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2011/04/17/interna_cidadesdf,248214/alta-dos-imoveis-supera-teto-de-r-500-mil-e-afasta-a-classe-media-do-plano.shtml

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