Cristiane Poleto
Brasília DF - 14/08/2018

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Com falta de imóvel, proprietários forçam alta do aluguel

07/04/11

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Com falta de imóvel, proprietários forçam alta do aluguel



Favorecidos pela demanda que cresce acima da oferta, donos de imóveis renegociam contratos antes do prazo










CRISTIANO COUTO



ALUGUEL


Em 24 meses, os aluguéis tiveram alta superior à inflação pelo IGP-M ou pelo IPCA




Proprietários e imobiliárias estão aproveitando a falta de imóveis para locação para assediar os inquilinos e forçar a renegociação dos valores dos aluguéis com índices acima dos estipulados nos contratos originais. A prática durante o período de vigência dos contratos não é considerada ilegal, mas gera controvérsias. Essa nova negociação só poderia ocorrer na renovação dos contratos. Entretanto, com receio de serem forçados a saírem do imóvel ao fim do contrato, locatários têm cedido às pressões, aceitando reajustes que ultrapassam 10% ao ano.




Geralmente, os contratos de locação têm prazos de 30 meses. E, em alguns casos, os inquilinos são chamados a negociar já no primeiro ano de contrato. Eles não são obrigados a discutir os valores neste período, mas, em dois anos e meio, o proprietário adquire o direito de pedir o imóvel de volta sem qualquer justificativa. “É uma pressão à qual você não resiste”, diz o advogado especializado em direito imobiliário Kênio de Souza Pereira, que detalha que as renegociações têm sido formalizadas por meio de termos aditivos aos contratos.




Como a apuração do custo de vida pelos institutos de pesquisas também leva em conta os gastos com habitação, a elevação dos valores nos novos contratos do mercado imobiliário acaba impulsionando juntamente a inflação geral.

 


aluguel






No acumulado dos últimos dois anos, os preços dos aluguéis em Belo Horizonte subiram 27,99%, segundo dados da CMI/Secovi-MG). Por outro lado, o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), levantado pela Fundação Getúlio Vargas, acumulou alta de 13,11%, no mesmo período. Ele é o principal indicador usado nos reajustes dos contratos de aluguéis, mas qualquer outro índice de inflação pode ser adotado.




No caso de Belo Horizonte, por exemplo, parte das imobiliárias utiliza o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead). Neste caso, o indicador registrou elevação de 11,6% nos últimos 24 meses.




Desde 2008, o valor dos aluguéis tem subido em consequência da valorização dos imóveis e da demanda superior à oferta. De 1999 a 2005, o mercado contava com muita oferta de casas e apartamentos, e os inquilinos aproveitavam para barganhar na renovação de contratos, conseguindo até abaixar o preço. Esta situação reduziu os investimentos na construção civil. Como a demanda aumentou e o setor demorou um pouco a se reaquecer, agora há um déficit maior de moradias.




“Na época em que o setor imobiliário estava fraco, a taxa Selic ficava na casa dos 20%. Com isso, os investidores aplicavam no mercado financeiro. Agora, com a baixa na taxa de juros e o boom da construção, eles estão investindo em imóveis. O mercado imobiliário sempre competiu com o mercado financeiro”, afirma Kênio Pereira.




Segundo o especialista, ainda há uma perspectiva de alta dos preços, já que os aluguéis atualmente correspondem a 0,7% do valor de venda, e a relação tradicional é de 1%.




O presidente da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), Ariano Cavalcanti de Paula, diz que desconhece ocorrências de renovação de contratos fora do prazo previsto.





Fonte: Jornal Hoje em Dia, Economia e Negócios - 01/04/2011


Fonte: http://www.hojeemdia.com.br/cmlink/hoje-em-dia/noticias/economia-e-negocios/com-falta-de-imovel-proprietarios-forcam-alta-do-aluguel-1.260624

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