Cristiane Poleto
Brasília DF - 19/01/2018

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A alta dos imóveis chega à Câmara dos Deputados

28/02/11

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Em contexto


 


Para enxergar além dos fatos


Marcelo Rocha

 


Obrigado pelas urnas a trocar as praias do Rio de Janeiro por (pelo menos) três dias por semana em Brasília, o deputado federal Romário (PSB-RJ) enfrenta o dilema dos parlamentares novatos. Ao chegar à capital, Romário consultou corretores sobre a possibilidade de alugar uma casa ampla no Lago Sul, área nobre da cidade. Considerou tudo caro. Preferiu fazer como a maioria e se hospedar num hotel. Agora, Romário está à espera de ocupar um dos apartamentos funcionais mantidos pela Câmara dos Deputados. Só que, além dele, há outros 279 deputados na fila.


Há duas décadas não acontecia um fenômeno assim. “Em cinco legislaturas nunca houve tanta procura pelos apartamentos funcionais ”, diz o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), quarto secretário da Câmara dos Deputados e responsável por administrar os 432 apartamentos que a Casa mantém em Brasília, espalhados por quatro quadras residenciais da capital federal. Os imóveis foram construídos na década de 1960. Naquele tempo, como era mais difícil viajar, os deputados costumavam se instalar em Brasília com a família. Para abrigá-los, a Câmara escolheu imóveis espaçosos de 240 metros quadrados, com quatro quartos, dois deles suítes. Nos últimos anos, por falta de interesse dos deputados, 200 apartamentos ficaram vazios e se deterioraram. A manutenção custava à Câmara cerca de R$ 10 milhões por ano. A maioria dos deputados preferia receber os R$ 3 mil do auxílio-moradia, instituído em 1997. Com ele, o parlamentar pode alugar um imóvel ou um flat, onde fica apenas três dias por semana.


Mas o cenário mudou. A evolução dos preços no superaquecido mercado imobiliário de Brasília tornou os R$ 3 mil do auxílio-moradia menos atraentes. Muitos parlamentares consideram o valor desatualizado. Além da questão econômica, uma reforma nos apartamentos tornou os funcionais atraentes. Em 2008, técnicos e integrantes da Mesa Diretora da Câmara avaliaram se seria melhor vender ou reformar os apartamentos. Foi decidido que, a longo prazo, seria mais vantajoso reformá-los em vez de reajustar o valor do auxílio-moradia.


Na semana passada, ÉPOCA esteve em um dos 144 apartamentos que serão entregues para deputados neste ano – outros 288 serão reformados nos próximos anos. Os apartamentos ganharam banheiras de hidromassagem. Os elevadores foram trocados. As esquadrias de ferro foram substituídas por outras, de alumínio, mais duráveis. O sistema elétrico foi refeito e foi instalado um sistema de aquecimento solar. Por apartamento, a reforma está custando, em média, R$ 415 mil.


Pelos critérios de distribuição, os parlamentares com necessidades especiais serão os primeiros a ser atendidos. Aqueles que tiveram de deixar os apartamentos para que a reforma fosse feita também terão prioridade. Na sequência, virão os deputados com família em Brasília e aqueles com mais de um mandato. Ainda assim, não será possível atender a todos.


Os deputados estão tão ansiosos que têm tentado visitar os apartamentos. Mas não são autorizados a entrar. Assessores do deputado Romário só foram autorizados a visitar uma unidade antiga. Com os preços dos imóveis nas alturas e a disputa acirrada pelos apartamentos da Câmara, existe o risco de algum parlamentar entrar e se recusar a sair.


Fonte: www.epoca.com.br

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